Crédito para Negativado

O pesadelo da bola de neve de dívidas assola muito brasileiros atualmente. A crise econômica, que desencadeou a onda de desemprego ou de subemprego, quando muitos profissionais foram forçados a aceitarem salários menores do que poderiam receber, tornou este pesadelo em uma infeliz realidade para muita gente.

Não são raros os casos de pessoas que, ao se depararem com este cenário, de terem perdido o emprego, ou terem visto a renda diminuir, por conta de um novo emprego com salário menor, não tenham conseguido equacionar e arcar com as dívidas.

Podem ser dívidas do cartão de crédito, com a operadora de celular, de uma compra parcelada feita no passado, do cheque especial, ou até mesmo de empréstimos já feitos com bancos anteriormente.

São muitos os caminhos pelos quais as pessoas podem ser ver endividadas e caírem no famoso Sistema de Proteção ao Crédito, também conhecido como SPC, ou na lista do Serasa Experian, empresa privada que realiza a análise de crédito de todos os brasileiros.

Quando isto ocorre, o jargão financeiro técnico utilizadoé que o CPF está “negativado”, ou, como caiu nas graças do uso popular, que o nome da pessoa está “sujo”. Nesta situação, a pessoa tem crédito negado por quase todos os bancos e agências fornecedoras de crédito.

Se você procurou por este tema e chegou até este artigo, certamente conhece alguém nesta situação ou provavelmente se encontra nela.

Não se preocupe, não iremos julgá-lo por estar endividado. Estar endividado em algum momento da vida é normal para a maioria das pessoas, inclusive para os mais bem-sucedidos financeiramente.

crédito com nome sujo

 

Até países se endividam, o Brasil, por exemplo, possui um endividamento total de cerca de 3 TRILHÕES de reais! Os Estados Unidos, por sua vez, possuem um endividamento total de 60 TRILHÕES de reais!

Claro, os países têm um poder que nenhum de nós tem, o de fabricarem a própria e decidirem o quanto arrecadam, através dos impostos, algo que nós, meros mortais infelizmente não possuímos.

Se você está procurando crédito, mesmo estando negativado, provavelmente está fazendo isso por conta de uma emergência financeira que teve em sua vida. Seja uma batida ou problema mecânico em seu carro, pode ser uma reforma emergencial em sua casa ou mesmo alguma emergência médica em sua saúde.

Os motivos podem ser os mais nobres e justificados o possível, porém, se o seu nome estiver “negativado” junto às instituições de avaliação de crédito, todos os bancos irão fechar as portas para você.

Por sorte, há uma luz no fim do túnel, que acaba por salvar muita gente que se encontra nesta situação que pode chegar a ser desesperadora.

Existem agências de crédito que possuem modalidade destinadas às pessoas em situação de nome “negativado”.

Neste artigo, iremos falar um pouco sobre estas agências e sobre como solicitar crédito nelas, caso o seu nome esteja “sujo”, os riscos que este processo acarreta e algumas dicas principais sobre como conseguir utilizar este processo para conseguir resolver situações financeiras emergenciais.

O aperto da renda do brasileiro é cada vez maior

A situação dos negativados no Brasil

Por mais que não possa parecer, o Brasil ainda é um dos países do mundo em que o devedor mais recebe “benefícios” para quitar as suas dívidas.

Por exemplo, ao contrário do que ocorre em alguns estados do Estados Unidos, aonde pessoas podem ser presas e terem seus bens leiloados, para que a dívida seja quitada, no Brasil, ninguém será preso por estar em débito com uma instituição e dificilmente terá seus bens leiloados para abater o pagamento de alguma dívida.

Alguns especialistas apontam como causas para esta diferenciação o alto custo e a enorme burocracia do judiciário brasileiro, que atrasam por anos os processos de dívidas entre pessoas físicas e instituições, fazendo com que acabem compensar processos apenas de dívidas de valores muito elevados.

O resultado disso é a dificuldade e as altas taxas de juros do mercado de crédito no Brasil. No nosso país, estudos indicam que apenas 30% do equivalente ao nosso Produto Interno Bruto, o PIB, são concedidos em crédito, enquanto, nos Estados Unidos este valor chega a 70% e na Europa chega a 95%.

A oferta de crédito no Brasil é baixa e os juros praticados são muito altos.

Os bancos usam como justificativa a inadimplência dos credores brasileiros. No ano de 2017, cerca de 60 milhões de brasileiros, ou cerca de 30% da nossa população, estava endividada. Um número que assusta, mas que pode ser muito bem explicado pelo desemprego, pela redução na renda do trabalhador e pelas altas taxas de juros, que impossibilitam o pagamento das dívidas.

Para os bancos, todo o cenário é muito positivo, pois correm poucos riscos, ao concederem pouco crédito e lucram muito com os poucos empréstimos que fazem, já que, um bom pagador mais do que compensa, devido aos juros que paga, um mal pagador.

Soma a este cenário o fato de que a renda do trabalhador médio brasileiro está em queda desde o ano de 2014, o que reduz o poder de compra, à medida que o preço das coisas só aumenta.

Desta forma, o brasileiro comum está hoje, muito mais propenso a se endividar do que no passado, dado que, por exemplo, uma família comum irá destinar quase toda a sua renda para as despesas fundamentais, como saúde, educação e alimentação.

Pense neste cenário, se surgir alguma emergência financeira, como a necessidade de trocar o pneu furado de um automóvel, haverá a necessidade de recorrer ao crédito, para continuar a poder dirigir o veículo, fundamental para o trabalho.

Como a renda desta família já estará quase toda consumida pelas necessidades mais fundamentais, esta família estará no caminho de se endividar e ver um de seus membros com o nome “sujo”.

Esta história se repete dia após dia no Brasil, aonde o custo de se viver só aumenta, enquanto os salários ficam cada vez menores.

Por isso, as dicas deste artigo podem não ser úteis para você hoje, mas, estatisticamente, há grande probabilidade de serem, em algum momento futuro, ou de serem para algum conhecido seu.

Como conseguir crédito estando negativado

Se você está com o nome “sujo”, já deixamos claro que conseguir crédito não será uma tarefa das mais fáceis.

Os bancos tradicionais e as agências de crédito mais conservadoras já podem ser considerados cartas fora do baralho, especialmente para aqueles que entraram na famosa “bola de neve” de dívidas, quando uma dívida se acumula sobre a outra e por aí vai.

credito para negativado

Estas instituições não irão dar confiança a quem tem a fama de mal pagador, mesmo que esta fama possa ser colocada sobre quase um terço da população brasileira.

Desta forma, a opção com maiores chances de sucesso será a de procurar as famosas agências de crédito independente.

Mesmo nestas agências independentes, provavelmente haverá consulta ao seu histórico de devedor. Mas isto não é feito, na maioria dos casos, para restringir o seu acesso ao crédito, mas sim, para avaliar qual a taxa de juros que será aplicada ao empréstimo que você está solicitando.

Por exemplo, alguém que está negativado, por conta de uma dívida pequena com a operadora de celular e não possui histórico de endividamento, deverá conseguir obter um empréstimo com taxa de juros mais baixas.

Por outro lado, alguém que já está negativado por conta de uma dívida alta com um banco, por exemplo, e possui histórico de endividamento anterior, deverá conseguir obter um empréstimo com taxas de juros muito mais altas.

Para ambos os casos, no entanto, a taxa de juros do empréstimo solicitado já será bem mais alta do que para alguém que não possui histórico de endividamento e de negativação do nome.

Haverá ainda análise qualitativa do tipo de endividamento que você possui. Se as suas dívidas são baixas e com apenas um banco, empresa, ou loja, você terá um perfil melhor avaliado do que alguém que já se endividou com diversos bancos ou lojas no passado.

O fato de você ter se endividado, porém no passado ter sido um bom pagador, também pesará ao seu favor, já que é o indicativo de que você se desorganizou um pouco financeiramente, mas que terá plena capacidade de se reorganizar.

Da mesma forma, o fato de você ter feito diversas dívidas no passado pesa negativamente contra, pois indica que você costumeiramente se desorganiza financeiramente e que, provavelmente, deverá atrasar ou deixar de pagar mais uma dívida.

Estas análises são feitas para que as agências de crédito mensurem o risco de concederem crédito a você. Quanto maior for o risco, menor será o número de parcelas em que o empréstimo poderá ser pago e maior será a taxa de juros praticada ao empréstimo solicitado.

Isto ocorre porque a instituição quer garantir que o empréstimo solicitado nesta situação tenha garantia de que, mesmo sendo pagas apenas uma, ou duas parcelas, o valor do empréstimo já tenha retorno.

Por exemplo, para um empréstimo para uma pessoa negativada avaliada como de alto risco, a taxa de juros mensal será de 20%, com o máximo de 3 parcelas.

Simulando um empréstimo de R$ 1.000, os juros totais serão de R$ 780. O empréstimo será divido e 3 parcelas de R$ 594. Desta forma, se quem pegou o empréstimo pagar apenas as duas primeiras parcelas e ficar devendo a terceira e última, a agência já terá recebido R$ 1.188, reduzindo o risco de perder dinheiro com o empréstimo feito.

Isso explica porque as taxas de juros ao negativados são tão mais altas que para as demais pessoas que solicitam empréstimos.

Empréstimo para funcionários públicos, aposentados e pensionistas negativados

Geralmente, na hora da solicitação de um empréstimo, funcionários públicos, aposentados e pensionistas possuem maior facilidade e taxas de juros menores, do que a maioria das pessoas.

Isso ocorre porque estas pessoas possuem uma “renda garantida” a cada mês, já que o funcionário público possui um risco quase nulo de ser demitido e o aposentado ou pensionista irá receber o seu dinheiro do governo, faça chuva ou faça sol.

Por isso, a análise de crédito para quem se enquadra nesta situação é mais favorável e costuma indicar que podem ser oferecidos empréstimos com juros menores e prazos mais flexíveis.

No entanto, caso haja a negativação do nome um funcionário público, aposentado ou pensionista, o mesmo poderá enfrentar dificuldades e maior restrição para conseguir crédito.

A lógica é a mesma para alguém negativado que não se enquadre nesta situação. Haverá a avaliação do histórico e do tipo da dívida que motivou a inclusão da pessoa no cadastro de inadimplentes e esta análise irá indicar o risco do empréstimo a ser realizado.

No entanto, até mesmo para negativados que sejam funcionários públicos, aposentados ou pensionistas, haverá uma maior facilidade na hora destes tentarem obter crédito, com prazos mais flexíveis e juros levemente mais baixos.

Isto porque, mais uma vez, o fato destes terem uma renda sólida a cada mês irá pesar na hora da avaliação do crédito e decisão pela concessão de crédito, mesmo que o nome desta pessoa esteja “sujo”.

Existe ainda a opção do crédito consignado. Nesta modalidade o empréstimo solicitado será descontado diretamente na folha de pagamento do funcionário público ou do aposentado ou pensionista pelo INSS.

Mesmo que o nome já esteja negativado, as taxas de juros para esta modalidade costumam ser uma das mais baixas existentes no mercado brasileiro atualmente, com juros rodando em torno de 4% ao mês.

credito para pessoas negativadas

Isso ocorre porque o risco de quem concede o empréstimo é muito baixo, já que haverá o pagamento das parcelas do empréstimo, antes mesmo de quem solicitou o empréstimo poder utilizar o dinheiro para outra finalidade.

Nesta modalidade, mesmo para negativados, as instituições de crédito mais conservadoras e os bancos costumam conceder crédito, dado o baixo risco de não serem pagos.

Porém, caso o solicitante do empréstimo já possua outro crédito consignado em seu contracheque, poderá ter a solicitação de novo empréstimo negada. Tudo dependerá do limite de crédito disponível para dedução no consignado, que varia conforme o valor do salário, aposentadoria ou pensão que é recebido.

Nesta situação, caso o nome já esteja negativado, a restrição poderá ser ainda maior, mesmo que o limite da dedução do consignado em folha ainda não tenha sido alcançada.

Novamente, isto ocorre pela avaliação de risco que os bancos e as agências de crédito fazem, pois, mesmo que você tenha uma renda garantida a cada mês, o fato de ter dívidas indica que sua vida financeira não anda lá muito bem.

Para as agências de crédito independentes, que concedem crédito a negativados mais facilmente, isto, na prática, apenas funciona para definir a taxa de juros a ser aplicada e o número máximo de parcelas a serem liberadas para a sua solicitação de empréstimo.

Empréstimo para negativados com imóvel ou automóvel como garantia

Assim como para funcionários públicos, aposentados ou pensionistas, pessoas com nome “sujo” que solicitam empréstimo, mas colocam um imóvel, ou um automóvel como garantia, costumam ter facilidade na hora de obter crédito.

Da mesma forma que o salário garantido no início de cada mês, no caso do funcionário público, ou da aposentadoria do INSS, alguém que oferece um imóvel ou automóvel como garantia, na hora de solicitar um empréstimo, está dando ao banco a “segurança” de que ele terá prejuízo ao conceder o crédito.

Para estas modalidades, a taxa de juros e a flexibilidade de parcelas e prazos de pagamento também costuma ser maior.

No entanto, alguns cuidados devem ser tomados. Em regra geral, os bancos e as agências de crédito vão avaliar o seu imóvel ou automóvel em um valor muito abaixo do que o mercado normalmente o faria.

Especialistas recomendam que esta opção de empréstimo seja escolhida apenas em necessidades fundamentais de dinheiro, ou no caso de uma necessidade imediata de se ter dinheiro.

Caso contrário, o melhor seria vender o imóvel ou automóvel, ao invés de colocá-lo como garantia de um empréstimo, já que o banco irá dar um valor a este bem muito menor do que o mercado.

Para negativados, no entanto, esta pode ser a única opção no caso da decorrência de uma necessidade emergencial de empréstimo.

O que pode ocorrer, no entanto, é que a agência de crédito ou o banco valorizem o bem com um valor ainda menor, em relação ao bem de uma mesma categoria de preço, porém, pertencente a alguém que não possui restrições de crédito.

credito para pessoas negativadas com nome spc

Desta forma, o valor que poderá obter em empréstimo por um imóvel de, por exemplo R$ 200 mil, colocado em garantia, será de cerca de 40% do valor deste imóvel, ou R$ 80 mil, enquanto para alguém que não possui restrições de crédito, o valor do empréstimo pode chegar a 70% do valor do imóvel, ou R$ 140 mil.

Isso ocorre porque o banco ou a agência de crédito colocam nesta avaliação a compensação por ter que vender o imóvel ou automóvel.

Geralmente, a instituição que recebe uma casa ou um carro, como compensação por um empréstimo não honrado, terá de colocar o bem em um leilão, o que normalmente já costuma desvalorizar o bem de modo imediato.

Este processo trará custos ao banco e a instituição, além de ser mais demorado e trabalhoso do que apenas receber o dinheiro, por isso o valor atribuído ao bem, quando colocado em garantia, é menor do que o valor de mercado do mesmo.

Para negativados, a valorização do bem costuma ser ainda menor pois, como há maior probabilidade de alguém com nome “sujo” deixar de pagar as parcelas de um empréstimo, conforme a ótica do banco ou agência de crédito, maior deve ser a margem de segurança do banco, no caso de efetivamente receber o imóvel ou automóvel dado como garantia.

Vale ressaltar que, pela legislação brasileira um bem não pode ser alienado duas vezes. Ou seja, se o imóvel ou automóvel já tiver sido dado como garantia em um empréstimo ainda não quitado, não poderá servir como garantia de um novo empréstimo, até que o primeiro seja quitado.

Da mesma maneira, um imóvel ou automóvel com parcelas ainda não quitadas não poderá ser dado como garantia em um pedido de empréstimo.

Outro ponto importante da legislação brasileira é que imóveis únicos da família, ou cujo moradores sejam menores de idade, pessoas com deficiência física ou mental, ou idosos, não podem ser leiloados, até que sejam desocupados.

Desta forma, mesmo que eles legalmente possam ser oferecidos como garantia a um empréstimo, na prática, nenhuma instituição irá aceita-lo como garantia, pois não conseguirá exercer, de fato, o direito de propriedade sobre o imóvel.

A mesma orientação legal tem sido recentemente aplicada a automóveis que são os únicos em uma família. Alguns juízes têm dado o entendimento de que o automóvel único da família é fundamental para o sustento da mesma e, portanto, não pode ser um bem passível de alienação.

Portanto, este é outro fator no qual os bancos e agências de crédito ficam atentos, na hora de conceder ou não crédito a uma pessoa.

Um imóvel pode ser utilizado como garantia em um empréstimo

Empréstimo com um agiota

Quando os bancos fecham as portas, você não é um funcionário público, um aposentado ou pensionista do INSS, não possui imóveis ou automóveis em condição de serem dados como garantia e possui restrições de crédito, a única solução que pode restar é recorrer a uma agiota.

O termo agiota costuma dar até arrepios de medo em algumas pessoas. Nas novelas e nos filmes sempre vemos os agiotas da ficção quebrando os dedos de seus devedores, ou mesmo ameaçando seriamente a vida deles.

No dicionário, agiota é aquele que se dedica a prática de agiotagem, que, por sua vez, significa oferecer empréstimo de dinheiro a juros superiores à taxa legal ou moralmente aceitável, consumado a prática de usura.

Legalmente, no Brasil a agiotagem é definida como os empréstimos financeiros feitos sem a anuência e controle do Banco Central, que é o órgão responsável pelo controle destas operações em nosso país, mesmo que sejam com taxas de juros abaixo da praticada pelos bancos e agências de crédito.

O fato de a restrição de crédito estar crescendo no Brasil colocou a figura dos agiotas de volta ao noticiário brasileiro. Seja por conta de casos de violência ou por investigações policiais visando coibir esta prática.

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Na maioria das vezes, quem procura empréstimos com um agiota costuma fazer isso por se encontrar em uma situação financeiramente desesperadora, o que abre margem para as cobranças de juros muito elevados, por parte dos agiotas.

Como os contratos entre agiotas e quem solicita os empréstimos são, em sua maioria, contratos informais, mesmo havendo exceções, nas quais contratos formais e registrados em cartório são feitos entre as partes, caso quem solicite o empréstimo não honre com a dívida, o agiota não poderá contar com os meios legais para reclamar a dívida.

Desta forma, terá que agir por conta própria, utilizando de coerção ou ameaça contra os devedores, o que acaba gerando os casos de violência, que fazem a fama dos agiotas ao redor do Brasil.

Vale ressaltar que a prática de agiotagem é crime no Brasil, sendo classificada como um “delito contra a economia popular”. Porém, a lei que define a agiotagem como crime data do ano de 1951, bem defasada diante do mundo atual.

Existem entendimentos legais modernos que assumem a obrigatoriedade do devedor, perante ao agiota, mesmo que a agiotagem seja crime.

Em decisão do ano de 2013, o STJ (Superior Tribunal de Justiça), segunda maior corte do judiciário brasileiro, definiu que alguém que solicitou o empréstimo de uma agiota e assinou com este um contrato, deverá arcar com o compromisso da dívida, mesmo que se tratem de juros elevados.

Portanto, se você estiver negativado e considerando a possibilidade de contrair um empréstimo junto a um agiota, leve em consideração as taxas de juros aplicadas e as condições do empréstimo e avalie todo o cenário muito bem, antes de prosseguir.

O agiota moderno não mais quebra os dedos de seus devedores, mas sim, utiliza de uma forma muito mais dolorosa de cobrar suas dívidas, que é o uso de advogados.

“Fazemos empréstimos sem consulta ao SPC ou SERASA”

A maioria das pessoas já ouviu ou leu esta frase em anúncios na televisão, no rádio, nos jornais ou mesmo na internet. É uma isca perfeita para quem está negativado e à procura de um empréstimo.

Porém, não se trata de nada mais do que uma forma de chamar a atenção de quem se encontra nesta situação.

Como demonstrado nos tópicos acima, mesmo as agências independentes fazem diversas avaliações de seu histórico de devedor, estado atual de suas dívidas e qual a natureza de cada uma delas.

Tudo isso para determinar o risco potencial que é oferecer credito para alguém negativado.

Esta avaliação de risco irá definir a flexibilidade máxima de parcelas e prazos do empréstimo, o valor máximo que poderá ser concedido e qual a taxa de juros poderá ser aplicada a cada caso.

A diferença, neste caso, para os bancos, que fazem consulta aberta ao SPC e ao SERASA, é que estes utilizam os dados obtidos nesta consulta para negar a concessão de crédito para aqueles que tem o nome “sujo”.

Por sua vez, as agências independentes costumam utilizar estes dados apenas para classificação de risco e dificilmente negam a concessão de crédito, mesmo para quem está negativado.

Como já explorado em profundidade acima, a oferta de crédito para negativados costuma seguir os parâmetros de risco analisados, que já começarão elevados, por se tratar de alguém negativado.

Por isso, as taxas de juros para quem se encontra nessa situação costumam ser bem mais elevadas do que para quem não possui restrições de crédito.

Agiotas de fato não fazem consulta ao SPC e ao SERASA, por isso, a taxa deles é ainda mais alta que as dos bancos e das agências de credito independentes, dado que eles consideram que, se a pessoa o procura pedindo crédito, ela já deve ter sido rejeitada pelas instituições tradicionais e está desesperadamente atrás de crédito.

Por isso, se aproveitam desta situação e cobram taxas muito altas.

É preciso tomar cuidado com os anúncios que dizem “sem consulta ao SPC”. A maioria desconhece o fato de que o SPC é geralmente utilizado por lojistas, que cadastram os devedores nesta lista, enquanto o SERASA é utilizado pelos bancos e agências de credito.

Desta forma, mesmo uma agência de crédito independente deverá consultar ao SERASA, para analisar uma oferta de crédito.

Quais os riscos para os negativados na hora de procurarem por crédito?

Obviamente, quem está negativado e ainda assim à procura por crédito, normalmente o estará fazendo por necessidade.

É neste momento que muito se aproveitam e aplicam golpes em pessoas que provavelmente, por estarem passando por dificuldades financeiras, estarão mais propensas a aceitarem soluções mais rápidas.

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Em uma busca rápida na internet, é possível ver diversos sites que oferecem crédito para negativados.

É preciso tomar muito cuidado e redobrar a atenção, pois nestes sites poderá haver a captura de seus dados, como CPF e RG, que podem ser utilizados por pessoas mal-intencionadas para cometerem crimes.

Ainda mais grave é quando pedem por um depósito inicial como garantia para o empréstimo.

Para quem está negativado e desesperado por crédito, isto pode parecer uma grande oportunidade para demonstrar que se é “confiável”, mas, ao final, acaba por ser um golpe que deixa muitas e vítimas e colocas estas pessoas em uma situação ainda mais desesperadora.

Os juros elevados, mesmo que se justifiquem por diversos fatores, como demonstrado nos tópicos anteriores deste artigo, acabam por também serem uma forma mascarada de golpe.

Ao procurar por agências de crédito para negativado na internet, procure por referências na imprensa ou em outros sites. Sempre desconfie das ofertas que parecem sedutoras demais e evite, à medida do possível, fornecer muitas informações pessoais, antes de atestar a idoneidade da agência com a qual se está negociando.

A internet é um prato cheio de golpes em todos os cantos e as pessoas mais vulneráveis são justamente àquelas que estão desesperadas por soluções fáceis e se deixam levar mais facilmente por promessas tentadoras.

Infelizmente, é neste cenário que muito se aproveita e cometem crimes que, na maioria dos casos, ficarão impunes.

Sempre procure referências antes de passar informações pessoais na internet

Alguns Links Importantes e Úteis

 

 

Decisão do STJ sobre agiotagem

Como citado em um tópico deste artigo, no ano de 2013 o STJ (Superior Tribunal de Justiça) aplicou o entendimento de que, apesar de agiotagem ser crime, classificada como crime contra a economia popular, do ano de 1951, quando há um acordo entre duas partes, sobre o empréstimo de uma quantia financeira, a parte que solicitou tem obrigações com que cedeu o empréstimo.

A decisão modifica muito o senso comum sobre a prática de agiotagem no Brasil e torna mais formal a relação entre agiotas e devedores, mesmo que esta não seja chancelada pelo Banco Central.

No caso em questão, uma dívida de R$ 70 mil, com um imóvel em garantia, foi reclamada na justiça.

O devedor alegou agiotagem e requereu a nulidade do processo e da dívida, porém, o entendimento do tribunal foi de que, como o credor teve real benefício com o empréstimo e firmou um contrato com o agiota, teve, portanto, a obrigação de honrar os compromissos do empréstimo.

A matéria e a decisão completa do STJ podem ser conferidas aqui.

Um vídeo compilado sobre crédito para negativado

O tema de crédito para negativado não é muito explorado na internet. Talvez pelo entendimento de que, se alguém está com o nome “sujo”, não deveria estar procurando por crédito, os grandes portais deixem este tema de lado.

Porém, a nova realidade do Brasil, com cerca de 60 milhões de pessoas negativadas, exige que o tema seja melhor explicado e as opções para quem demanda empréstimo nesta situação sejam bem detalhadas, com o intuito de evitar com que pessoas caiam em fraudes e golpes.

Um vídeo no Youtube que pode ajudar a entender com mais exemplos e detalhes esta situação é este aqui:

No vídeo, são apresentadas algumas soluções e o porquê de as taxas de juros para negativados serem tão altas.

O vídeo é do canal “Brasileiro Online”, que possui outro vídeo instrutivo, sobre os riscos de se procurar empréstimos na internet, especialmente para quem se encontra em uma situação de restrição de credito.

São apresentados casos reais, que demonstram bem a necessidade de se pesquisar sobre a empresa, antes de repassar dados ou fazer qualquer tipo de pagamento antecipado.

É um ´vídeo fundamental para se precaver contra fraudes e golpes de criminosos que se aproveitam de pessoas nesta situação. Confira as dicas nesse video:

Crédito para Negativados: Uma solução que requer atenção

Quem está negativado e precisa de um empréstimo deve ficar atento para todos os riscos que esta busca envolve e também se preparar para os sustos que as taxas de juros elevadas irão proporcionar.

As taxas de juros e as condições dos empréstimos para negativados são muito piores do que para pessoas que não possuem nenhum tipo de restrição de crédito em seu nome.

Como demonstrado neste artigo, isto ocorre porque as empresas se valem de uma avaliação de risco que já considera alguém que está com o nome “sujo” um mau pagador.

Porém, com o aumento da inadimplência, a redução da renda das famílias, o desemprego e a inflação, a tendência é que mais e mais pessoas negativadas venham a solicitar crédito no futuro.

É preciso, portanto, estar atento quanto aos golpes e juros abusivos que podem colocar quem está negativado e à procura de crédito em uma situação ainda mais delicada.

Estar endividado não é um crime e nem um motivo de vergonha, é uma situação que muitos estão sujeitos.

Se você precisar de crédito, em algum momento de emergência financeira pessoal ou familiar, e se encontrar com o nome negativado, este artigo lhe fornece dicas valiosas, para evitar ser vítimas de golpes e poder tomar a decisão mais consciente, mesmo em um momento tão delicado.

O mais importante é sempre pesquisar e procurar as melhores referências disponíveis na internet, de forma a reduzir a probabilidade de erro nesse processo.